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Cibercultura e as transformações educacionais
por Sérgio Lima
A nova sociedade em que vivemos, que podemos classificar como "sociedade da informação¹", onde essa informação chega ao nosso alcance com rapidez devido às novas tecnologias que agregam mais ferramentas para uma boa comunicação, traz consigo a cultura digital, os desafios da autonomia na construção do saber e a democratização de conteúdos, onde todos possam postar suas idéias e conhecimentos através de um clique em um mouse, fazendo com que as informações cruzem hemisférios.
Diante dessa nova sociedade, torna-se necessário avaliar os novos processos comunicacionais frente a uma navegação interativa entre links e hiperlinks, em uma leitura não linear e hipertextual pelo ciberespaço, juntamente vinculadas a redes de conhecimentos e expansão do saber .
Pierry Levy fala sobre a revolução em que vivemos e deixa claro que o momento "Não é usar a internet para fazer a revolução. A Internet já é a revolução".
Neste mesmo raciocínio, ele fala sobre as dificuldades que as pessoas alegam em acompanhar as tecnologias, então ele desfaz este mito esclarecendo muito bem o assunto.
"Não se trata de acompanhar a tecnologia, mas sim acompanhar a mutação da civilização global.(...)neste estado de dinamicidade, inchaço e permanente transformação das informações e dos saberes contemporâneos, o conhecimento tornou-se impossível de ser acessado, apesar de disponível, porque intotalizável e indominável. As metáforas centrais das relações do saber tornam-se "a navegação e o surfe, que implicam uma capacidade de enfrentar as ondas, redemoinhos, as correntes e os ventos contrários em uma expansão plana, sem fronteiras e em constante mudança." (LEVY, 1999)
Para que a educação possa escalar os degraus da nova estrutura do conhecimento, possibilitando a formação de um crescente número de pessoas que buscam o conhecimento em ambientes virtuais, os educadores e gestores precisam acompanhar de perto estas mudanças.
Várias são as necessidades de investimento nesta nova maneira de ensinar e aprender, dentre elas destaco:
· a formação e a valorização dos professores, que irão ter um papel primordial na reestruturação de currículos, aprendendo a planejar conteúdos para meios digitais;
· otimizar o uso de ferramentas tecnológicas, agindo ativamente na função de direcionar os conhecimentos em uma linha pedagógica e didática;
· criação de grandes bancos de dados acadêmicos e de objetos de aprendizagem para otimização de pesquisas;
· treinamentos de multimídia para educadores;
· ações sociais do governo e instituições de educação para ofertas de cursos em ambientes virtuais;
· incentivo a pesquisas sobre conteúdos para web e arquitetura da informação.
Neste cenário, vemos a necessidade das políticas educacionais considerarem esta dimensão do Ciberespaço, que influencia e modifica os conhecimentos e a realidade, devido a velocidade com que surgem e se renovam os saberes e savoir-faires,a demanda crescente de conhecimentos no mundo do trabalho - onde trabalhar significa aprender, socializar saberes e produzir conhecimentos e ao fato do Ciberespaço suportar tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam as funções cognitivas humanas. (LÉVY, 1999).
Hoje o ensino presencial já trabalha com as tecnologias da informação e da comunicação na otimização do aprendizado em sala de aula. O uso de infográficos, filmes e demais recursos multimidiáticos facilitam a compreensão e atendem singulares formas de aprender.
Precisamos adentrar nesta nova cultura para, instrumentalizados e familiarizados, usufruir dos ‘remédios' específicos para os males que engendra. A própria conexão em tempo real de todos com todos, causadora da desordem, é condição para a emergência de soluções para os problemas de orientação e de aprendizagem no ‘universo de saber em fluxo', pois favorece a inteligência coletiva nas comunidades virtuais. (LÉVY, 1999)
Referências Bibliográficas
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Trad. Roneide Venâncio Majer. 8 ed. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2005.
Editora Paz e Terra, 2005. LÉVY, P. A nova relação com o saber. Curso de Especialização em Educação a Distância, Rede EaD SENAC, MG, 2011.
Definição, características e abordagens. Rede EaD SENAC, RS, 2011.
LÉVY P. As mutações da educação e a economia do saber. Curso de Especialização em Educação a Distância, Rede EaD SENAC, MG, 2011.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2000.
LÉVY, Pierre. O que é o virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 1999.
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