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Sérgio Lima
2012/01/12 11:10:48

           

 Cibercultura e as transformações educacionais

 

por Sérgio Lima 

A nova sociedade em que vivemos, que podemos classificar como "sociedade da informação¹", onde essa informação chega ao nosso alcance com rapidez devido às novas tecnologias que agregam mais ferramentas para uma boa comunicação, traz consigo a cultura digital, os desafios da autonomia na construção do saber e a democratização de conteúdos, onde todos possam postar suas idéias e conhecimentos através de um clique em um mouse, fazendo com que as informações cruzem hemisférios.

 

 

Diante dessa nova sociedade, torna-se necessário avaliar os novos processos comunicacionais frente a uma navegação interativa entre links e hiperlinks, em uma leitura não linear e hipertextual pelo ciberespaço, juntamente vinculadas a redes de conhecimentos e expansão do saber .

Pierry Levy fala sobre a revolução em que vivemos e deixa claro que o momento "Não é usar a internet para fazer a revolução. A Internet já é a revolução".

Neste mesmo raciocínio, ele fala sobre as dificuldades que as pessoas alegam em acompanhar as tecnologias, então ele desfaz este mito esclarecendo muito bem o assunto.

"Não se trata de acompanhar a tecnologia, mas sim acompanhar a mutação da civilização global.(...)neste estado de dinamicidade, inchaço e permanente transformação das informações e dos saberes contemporâneos, o conhecimento tornou-se impossível de ser acessado, apesar de disponível, porque intotalizável e indominável. As metáforas centrais das relações do saber tornam-se "a navegação e o surfe, que implicam uma capacidade de enfrentar as ondas, redemoinhos, as correntes e os ventos contrários em uma expansão plana, sem fronteiras e em constante mudança." (LEVY, 1999)

 

Para que a educação possa escalar os degraus da nova estrutura do conhecimento, possibilitando a formação de um crescente número de pessoas que buscam o conhecimento em ambientes virtuais, os educadores e gestores precisam acompanhar de perto estas mudanças.

 

 

Várias são as necessidades de investimento nesta nova maneira de ensinar e aprender, dentre elas destaco:

·      a formação e a valorização dos professores, que irão ter um papel primordial na reestruturação de currículos, aprendendo a planejar conteúdos para meios digitais;

·      otimizar o uso de ferramentas tecnológicas, agindo ativamente na função de direcionar os conhecimentos em uma linha pedagógica e didática;

·      criação de grandes bancos de dados acadêmicos e de objetos de aprendizagem  para otimização de pesquisas;

·      treinamentos de multimídia para educadores;

·      ações sociais do governo e instituições de educação para ofertas  de cursos em ambientes virtuais;

·      incentivo a pesquisas sobre conteúdos para web e arquitetura da informação.

Neste cenário, vemos a necessidade das políticas educacionais considerarem esta dimensão do Ciberespaço, que influencia e modifica os conhecimentos e a realidade, devido a velocidade com que surgem e se renovam os saberes e savoir-faires,a demanda crescente de conhecimentos no mundo do trabalho - onde trabalhar significa aprender, socializar saberes e produzir conhecimentos e ao fato do Ciberespaço suportar tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam as funções cognitivas humanas. (LÉVY, 1999).

 

 

Hoje o ensino presencial já trabalha com as tecnologias da informação e da comunicação na otimização do aprendizado em sala de aula. O uso de infográficos, filmes e demais recursos multimidiáticos facilitam a compreensão e atendem singulares formas de aprender.

 

 

 

 

Precisamos adentrar nesta nova cultura para, instrumentalizados e familiarizados, usufruir dos ‘remédios' específicos para os males que engendra. A própria conexão em tempo real de todos com todos, causadora da desordem, é condição para a emergência de soluções para os problemas de orientação e de aprendizagem no ‘universo de saber em fluxo', pois favorece a inteligência coletiva nas comunidades virtuais. (LÉVY, 1999)

 

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

 

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Trad. Roneide Venâncio Majer. 8 ed. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2005.  

 

Editora Paz e Terra, 2005.  LÉVY, P. A nova relação com o saber. Curso de Especialização em Educação a Distância, Rede EaD SENAC, MG, 2011.

Definição, características e abordagens. Rede EaD SENAC, RS, 2011.

LÉVY P. As mutações da educação e a economia do saber. Curso de Especialização em Educação a Distância, Rede EaD SENAC, MG, 2011.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2000. 

LÉVY, Pierre. O que é o virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 1999.

 

Sérgio Lima
2012/01/12 11:10:48

 O professor é peça fundamental no processo de consolidação do ensino em ambientes virtuais, mas os novos contextos de aprendizado e o novo cenário do conhecimento exigem uma competência didática que lhe permita desvendar os diferentes processos cognitivos dos alunos.

            Para que essa realidade não seja apenas teórica, são necessários suportes técnicos e humanos aos professores que possibilitem esse exercício e a interação com os alunos. Não é possível ser  peça fundamental do saber sem o diálogo com os alunos e a familiarização com as diferentes formas de aprender nos ambientes virtuais. É uma via de mão dupla, onde também é necessário que os alunos estejam dispostos a configurar esta cena e possibilitar ao professor explanar suas idéias e direcionar o conhecimento. 

            Segundo Lina Morgado, as Tecnologias de Informação e Comunicação “vêm colocar novas questões e exigir um reposicionamento de perspectivas, tanto no campo do ensino superior como no do ensino a distância, criando mesmo novas necessidades na educação e na formação dos indivíduos para o século XXI”. 

            A função do professor tutor em sua mediação deve ser a de dar novos significados a sua prática, independentemente do modelo pedagógico, seja ele síncrono ou assíncrono, presencial ou virtual. Diante da fala da autora: “Se o verdadeiro potencial do ensino online se fundamenta na interação que possibilita e na aprendizagem colaborativa, então, que tipo de mudanças se perspectivam ao professor em contexto virtual?”

            É perceptível que todos os posicionamentos considerados como características indispensáveis ao professor em ambientes virtuais são também necessários no ensino  presencial: promover a autonomia, o pensamento crítico, o poder de questionamento e a convivência em um  ambiente colaborativo.

            Esse novo processo didático faz com que o professor (re)pense a prática pedagógica, reinventando a todo momento novas possibilidades. Não basta nesse momento ser um bom professor, estamos em um outro patamar, onde necessitamos de professores multidisciplinares e multimidiáticos, sendo necessária a urgência de proporcionar aos educadores a familiarização e treinamentos compatíveis com os novos eixos comunicacionais diante de uma renovação curricular.

            O ensino on-line atravessa momentos de extremo cuidado no planejamento, na elaboração de conteúdos, na arquitetura da informação e na formação profissional, pois estamos vivenciando fórmulas novas de uma proposta que veio para ficar no campo educacional. Lina Morgado aponta os aspectos mais críticos, tomando como referência os estudos feitos em Palloff & Pratt, Fullmer-Umari e Salmon. Esses aspectos partem da dimensão do grupo e sua relação com os objetivos principais e específicos do curso, o que gera dificuldade no gerenciamento do professor, no aproveitamento no tempo pedagógico determinado e na absorção dos conteúdos, em um ambiente na maioria das vezes assíncrono.

            Concluindo, o ensino online necessita da participação dos alunos na busca de pesquisas mais profundas, com orientação de professores bem preparados.

 

 

Referência bibliográfica 
MORGADO, Lina. O papel do professor em contextos de ensino on-line: problemas e virtualidades. Curso de Especialização em Educação a Distância, Rede EaD SENAC, MG, 2011.

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