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MERCADO MUNDIAL ESTÁ ABERTO PARA QUEM PRODUZ CACHAÇA
Veja a seguir a entrevista exclusiva com o produtor cultural Sérgio Lima, 30 anos, diretor da Frisa Produtora, empresa especializada em eventos culturais que atua em parceria com o Sesc. Na entrevista, ele fala do festival da cachaça e da sua importância sócio-econômica para Bom Despacho e região.
JORNAL DE NEGÓCIOS – Qual a importância de promover e valorizar a cachaça? Quais os ganhos que essa iniciativa pode trazer para Bom Despacho e região?
SERGIO LIMA – Através do festival, pretendemos estimular os produtores a adquirir novos conhecimentos, a melhorar e expandir seu negocio, gerando mais emprego e renda no município e região. A feira vai mostrar a importância dos produtores se unirem, formarem uma associação que possa trabalhar na base da cooperação para que todos tenham mais profissionalismo e melhores resultados no seu negócio. Através de uma associação é mais fácil desenvolver ações de treinamento, coordenar o trabalho de marketing dos produtores. Atuar de maneira mais profissional na melhoria da qualidade da cachaça, na produção de rótulos, na abertura de novos mercados, na promoção de vendas. É possível ainda, só para dar um exemplo, montar uma engarrafadora em Bom Despacho que atenda a todos produtores do município. Ou seja, todos saem ganhando sem perder a sua individualidade, as suas qualidades. Enfim o festival é uma oportunidade de mostrar os caminhos para que o produtor melhore seu negócio, cresça, se profissionalize, gere mais emprego e renda. E todos saem ganhando com isso.
JORNAL DE NEGÓCIOS – Nos últimos anos, a cachaça brasileira vem ganhando espaço no mundo inteiro, não é verdade?
SERGIO – Realmente, a cachaça é uma bebida tipicamente brasileira e que vem ganhando prestigio no mundo inteiro. Tanto que é cada vez mais exportada. Os europeus, por exemplo, descobriram que a cachaça pode ter aparência e gosto que a tornam muito saborosa e agradável, equiparada às bebidas consideradas nobres como o whisky. Mas eles exigem muita qualidade. Por isso, a partir do momento em que os produtores da região investirem na qualidade da sua cachaça, eles terão o mercado mundial pela frente.
JORNAL DE NEGÓCIOS – Falar em produzir cachaça de qualidade para exportação pressupõe não apenas fazer um bom produto, mas montar toda uma cadeia para esse fim, não é verdade?
SERGIO – De fato, o investimento em qualidade passa por todas as etapas: seleção da matéria-prima, técnicas de produção, definição e manutenção de padrões de cor, sabor e textura, rotulagem, e engarrafamento. A colocação do produto no mercado externo depende da estratégia de marketing e negócios, visão comercial e conhecimento dos caminhos. Exige profissionalismo e capacitação. Todas essas questões estarão sendo mostradas aos produtores durante o festival da cachaça no Sesc.
JORNAL DE NEGÓCIOS – Você disse que a cachaça é uma bebida tipicamente brasileira. Eu diria mais: que ela faz parte da própria historia e da cultura brasileira.
SERGIO - De fato. Vale lembrar que a atividade canavieira está presente no Brasil desde o século XVI. Hoje, em pleno século XXI, ela ainda se destaca como um grande gerador de empregos e renda no campo. Alias, é importante salientar que a região Centro-Oeste de Minas favorece muito a cultura da cana por suas condições geoclimáticas. Hoje, aqui na região, a partir da cultura da cana-de-açúcar já se produz muito açúcar, cachaça e álcool. Até os resíduos da cana são reutilizados na alimentação animal. Portanto, estimular e profissionalizar a produção da cachaça é dar impulso a um setor importante do agronegócio regional.
JORNAL DE NEGÓCIOS – Quantas marcas diferentes de cachaça estarão sendo mostradas no festival?
SERGIO – Olha, ao todo são 17 fabricantes expondo seus produtos no Sesc. Desses 12 são da região e outros 5 de outras partes do Estado. No festival haverá marcas consagradas de cachaças feitas em MG, alem de boas cachaças feitas na região.
JORNAL DE NEGÓCIOS – O que mais haverá no festival?
SERGIO – No festival, as pessoas interessadas irão encontrar informação e assessoria profissional para investir na produção da cachaça ou mesmo expandir a presença do seu produto no mercado. O festival será uma oportunidade valiosa para troca de informações, experiências e conhecimento entre os produtores. Até mesmo para cada um experimentar a cachaça feita por outros fabricantes e avaliar as virtudes do que está sendo produzido.
JORNAL DE NEGÓCIOS – Haverá também uma prova de degustação?
SERGIO – Todos os expositores forneceram amostras da sua cachaça para analise laboratorial. Os resultados dos exames serão entregues a eles, com sugestões de especialistas para eventuais correções e melhoria dos produtos. As 5 cachaças que se saírem melhor no exame de laboratório serão levadas à degustação popular na feira, que irá avaliar aquela que tem o melhor sabor. A marca campeã vai ganhar um troféu.
JORNAL DE NEGÓCIOS – O festival será aberto ao público em geral? E crianças também podem participar?
SERGIO – Haverá uma solenidade de abertura a sexta-feira a noite, somente para convidados. No sábado e no domingo a exposição será aberta ao publico o dia inteiro, com entrada franca. Os pais podem e devem trazer as crianças para que elas conheçam mais sobre a produção da cachaça, mas evidentemente só adultos poderão degustar. Aliás, o festival será uma oportunidade para conhecer como é feita a produção de cachaça. Haverá muita coisa interessante para as crianças aprenderem, entre elas como é feito o processamento da cana.
JORNAL DE NEGÓCIOS – Haverá distribuição livre de cachaça no festival?
SERGIO – Não, o festival da cachaça não será um local para o consumo de cachaça, mas apenas para degustação. Será sim uma oportunidade para a promoção do agronegócio, com destaque para a questão cultural da cachaça e a sua importância sócio-econômica. Alem disso será uma oportunidade para as pessoas conhecerem e até comprarem cachaça de qualidade para dar de presente no natal. Só não haverá espaço para que as pessoas transformem o evento num grande boteco de boca-livre.
fonte: Jornal de Negócios 30/nov/03 a 06/dez/03 página 8
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